"O estupro é inevitável, relaxa e goza !" Este é o dito popular brasileiro mais permeado de estultice que existe. Aliás, se ousaria dizer até que é o mais repugnante já inventado pelo homem. Tão só o fato de um povo tê-lo adotado como símbolo cultural já relegaria esta nação a um lugar de esqucimento na história. Por quê? Bem, será que as milhares, ou milhões de pessoas que já o pronunciaram seriam capazes de praticá-lo ao serem violentadas ?
O psicólogo austríaco Viktor Emil Frankl, criador da Logoterapia, disse que a vontade primeira que impele o ser humano é a vontade de sentido. É por isso que, segundo ele, até o sofrimento poderia fazer sentido. Disse ele, também, que a maior coragem que um ser humano pode ter é a coragem de sofrer. O sofrer, segundo entendido por Frankl, era a incompatibilidade entre a liberdade interior do sujeito e as circunstâncias do mundo exterior. Daí tira a conclusão de que no campo de concentração (local de onde tirou sua logoterapia) o mais importante é o exercício desta liberdade interna, o "não entregar os pontos".
O relaxogozismo petista (e antes disso, Brasileiro) é justamente o contrário, é a covardia de escolher não sofrer ante uma situação que seria de todo modo rejeitada por aquilo que há de mais profundo na consciência do indivíduo - sua própria essência, sua personalidade, seus valores - não só aceitando, mas escolhendo compactuar com o seu agressor. O resultado disso é o próprio esfacelamento da consciência do indivíduo. É o suicídio espiritual, e o motivo disso é óbvio: aquilo que era só uma derrota no mundo físico passa a se tornar uma derrota no mundo espiritual. A liberdade interior, perene, é perdida, no lugar da liberdade exterior, que não pode ser perdida mais do que temporariamente.
Aliás, isso parece ser um sinal destes tempos modernos. A Síndrome de Stocolmo, por exemplo, é um dos maiores exemplos da loucura que vem assolando o mundo; e se trata justamente disso: a vitória do mal. A vítima tenta ver o agressor como também vítima, e passa a defendê-lo contra todos, até mesmo aqueles que lhe quiseram o bem a vida inteira, compadecendo-se dele. E o pior é que não está lhe fazendo nenhum bem, mas incentivando-o a continuar praticando o mal.
Além disso, aqueles que supostamente deveriam clamar contra a injustiça sofrida por outrem, compadecendo-se deste, buscam em cada vez maior quantidade e grau sair em defesa dos malfeitores, como uma leoa faz com a sua cria; que o digam Dona Marilene Fela Anta e Luís Ferdinando Falssíssimo. Afinal, como expôs Olavo de Carvalho:
(vive-se em) "uma ordem social na qual tudo aquilo que os milênios consideraram abominável ou desprezível é entronizado como obrigação máxima e cláusula pétrea, proibindo e criminalizando tudo o que a humanidade anterior sempre considerou bom, correto e desejável. O amor familiar é condenado como camuflagem da violência doméstica e da pedofilia, enquanto os estupradores e pedófilos autênticos são protegidos como vítimas da sociedade má. A devoção religiosa é estigmatizada como disfarce de todas as paixões mais baixas, enquanto estas, na sua versão mesmo a mais crua e direta, são elevadas à categoria de padrões normativos obrigatórios. Todas as relações humanas, denunciadas como “véu ideológico” estendido sobre relações de poder, são trocadas, ao som de fanfarras, pela manifestação brutal do poder explícito, celebrado como salvador e humanitário. Todo o universo criado, onde o império relativo do bem mantinha o mal sob controle, é acusado de ser um imenso engodo, e o império do mal explícito é aclamado como única e definitiva encarnação da bondade, como reino da justiça."
Diante de tal situação, cabe a nós, pessoas do mundo ocidental, relembrarmos a lição daquele que tem sido a razão de contarmos os anos como o fazemos: Jesus Cristo. O sacrifício na cruz pode parecer a alguns uma derrota, mas trata-se da maior das vitórias: a do espírito sobre o corpo. Justamente o contrário do que ocorre hoje em dia, época na qual os seres humanos criam cada vez mais meios de se esquivar de suas responsabilidades através da tecnologia. Uma assunção da derrota do espírito que, incapaz de controlar o corpo, se abstém de fazê-lo, rendendo-se ao conforto da matéria.